“O melhor para o País seria o impeachment”, afirma Raul Henry

Na primeira entrevista da Folha de Pernambuco de 2016, o vice-governador de Pernambuco, Raul Henry (PMDB), faz uma análise contundente sobre o cenário político nacional. Adepto do afastamento da presidente Dilma Rousseff, o peemedebista acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) errou ao interferir na decisão sobre o rito do impeachment. Mas, da mesma forma, defende a cassação do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha. Experiente e discreto, também fala sobre sua participação no primeiro ano de Paulo Câmara à frente do Estado e faz uma análise dos desafios que devem influenciar as eleições municipais deste ano.
Como membro do PMDB, como avalia os atritos internos entre o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros?
Cunha perdeu totalmente a condição de presidente da Câmara dos Deputados. Acho inclusive que o pouco reconhecimento das ruas em torno do impeachment de Dilma tem a ver com o movimento dele. O afastamento dele deve ser realizado o quanto antes para que o parlamento volte a cumprir seu papel. Em relação ao Michel Temer, o que posso dizer é que nossa relação sempre foi respeitosa, mesmo quando nós estivemos na oposição, com relação ao posicionamento do PMDB nacional. Ele sempre foi uma pessoa que conduziu o PMDB como uma frente democrática e heterogênea. Já Renan também está numa posição delicada porque ele é alvo de investigações e tem seis inquéritos na Polícia Federal. Essa é uma posição muito delicada também.
E sobre a atuação do STF, que tem assumido um protagonismo cada vez maior com relação ao impeachment de Dilma?
O STF praticamente realizou uma intervenção em outro poder, ao não aceitar que a Câmara dos Deputados, através do seu plenário soberano, pudesse fazer uma votação para a escolha da comissão que analisará o impeachment. No meu entendimento, é uma intervenção em outro poder. A Câmara é a Casa onde as decisões são tomadas pelo voto e isso e a essência da democracia. Nesta escolha dos membros da comissão, o plenário deveria ser soberano. A Casa, inclusive quando ela tem conflito nas comissões, é o plenário que decide. Por exemplo, quando a Comissão de Justiça vai avaliar uma questão qualquer, a palavra final sempre é do plenário.
Jarbas fez uma leitura errada quando votou em Cunha?
Não. Inclusive, eu participei deste processo, porque Cunha tinha sido um bom líder do partido. Ele era um líder que respeitava as posições da bancada. Quando ele era da base do governo, eu consegui a maioria dentro da bancada para votação de algumas pautas importantes e ele ficou na minoria, mas acatou a posição da bancada. Tive a oportunidade de viver isso. Me coloquei numa posição contrária à dele e venci. Mas ele acatou a posição da comissão. Era um líder que acatava a posição da bancada. Só que ninguém imaginava que o desastre fosse desse tamanho que ele fosse um sujeito com tantas fragilidades que o impedem de realizar sua função como presidente da Câmara.
Jarbas poderá assumir a Câmara se Cunha for cassado?
Eu não estou em Brasília. Mas Jarbas é um homem de grande repercussão. Você vê que Jarbas falou para todos os veículos da imprensa nacional recentemente. Ele é uma pessoa muito respeitada pela sociedade e a Câmara precisa de uma pessoa que tenha esse perfil de resgate da credibilidade da instituição. Mas o PMDB é um partido muito divido. Já trocou de líder três vezes recentemente e tem sete ministérios para sustentar metade da bancada, porque a bancada está dividida no meio. São 24 assinaturas para um lado e 35 para o outro. Então eu não diria que a candidatura de Jarbas teria que nascer de um consenso do PMDB. Agora, precisamos de uma candidatura para resgatar o parlamento com o apoio da população.
Como analisa a postura do governador Paulo Câmara em relação ao impeachment?
A interpretação da Lei não é uma ciência exata. Existem pessoas que defendem teses diferentes. Além disso, o impeachment é um processo politico, tanto que quem julga é uma casa política, que é o Congresso Nacional. Então eu acho que, nesse momento, o País está descendo ladeira abaixo, sem condições de liderar o Congresso, sem apoio da sociedade, sem a confiança dos agentes econômicos. Acho que nós temos todo ambiente no Brasil para o impeachment e acho que o melhor para o Brasil seria esse impeachment. Imagine o que seria para a presidente da República ficar nessa condição por mais três anos, sem apoio? Então acho que o melhor para o País e para a sociedade seria o impeachment.
Como foi sua participação no primeiro ano de Paulo Câmara à frente do governo?
Paulo é uma pessoa muito transparente. Tem uma grande capacidade de ouvir e dialogar e isso é uma característica fundamental dele. Ele ouviu muito a equipe para tomar decisões. A facilidade com que ele conversa, ouve e expressa seus pontos de vista é uma característica que facilita muito esse ambiente dentro do governo. Tive uma participação bastante satisfatória. Me senti integrante no conjunto da equipe e acho que ele teve essa capacidade de ouvir de aprender com as situações. Eduardo (Campos ), quando apresentou o nome dele, disse a mim: ‘olhe eu posso até não escolher o melhor candidato, porque ele nunca disputou nenhuma eleição e a gente não sabe como ele se sairá como candidato, porque nunca se candidatou. Agora posso lhe assegurar que foi a melhor escolha de governador que eu poderia fazer para Pernambuco’. Acho que ele vem dando conta do recado, com um grande esforço pessoal. Vem correspondendo a grande confiança que foi depositada nele.
A que o senhor atribui o surgimento do nome de Jarbas para disputar a prefeitura do Recife?
Jarbas é uma pessoa que tem uma grande liderança no Recife e em Pernambuco e teve uma votação consagradora em 2014. Quando se fazia pesquisa, o nome dele aparecia bem, então tudo isso cria uma especulação em torno dele. Mas me parece que ele fez uma escolha política para um projeto nacional, onde ele tem ocupado um grande espaço e tem alcançado um grande reconhecimento da opinião pública e da imprensa nacional.
 Quais os principais acertos e os principais erros da gestão?
Eu sinceramente não consigo identificar um erro que ele tenha cometido na gestão. Agora acho que o acerto foi um conjunto de atitudes no sentido de ajustar a máquina do Estado, de cortar despesa onde era possível cortar, de ser uma pessoa que trabalhou de domingo a domingo para tentar atravessar um ano de tanta dificuldade, honrando os compromissos do Estado mantendo, por exemplo, essa meta do investimento de um bilhão, com 57% de recursos próprios, além de conseguir enxugar o custeio em R$ 400 milhões, tendo a capacidade de dialogar como ele dialogou, com a equipe, com a sociedade, e forças políticas.
Qual sua opinião sobre Geraldo Júlio?
Eu avalio que Geraldo tem sofrido, como todos os prefeitos e governadores, os feitos da crise nacional. Houve o impedimento de linhas de créditos, inclusive internacionais e a queda de receita, que certamente aconteceu. Noto nele um grande esforço para honrar um conjunto de compromissos que ele assumiu com a cidade. Inclusive está anunciando agora o hospital da mulher e a abertura da Via Mangue. Acho que ele está nesse caminho do esforço que todo o governante está fazendo no Brasil hoje. Esse é o ultimo ano do governo dele, que quer realizar as entregas, mas encontrou um ambiente absolutamente adverso, que estava fora das previsões de qualquer pessoa, como a queda de receita que se teve nos estados e municípios do Brasil. Neste ano, vão ter muitos prefeitos com dificuldades para se reeleger por conta desses cortes nos repasses, mas Geraldo tem dado uma grande demonstração no sentido de honrar seus compromissos.
O PMDB pretende lançar quantos candidatos a prefeito no Estado?
Ainda não tenho o mapa, mas até março teremos uma projeção definida. Em Petrolina, nossa candidatura vai depender da decisão do prefeito Julio Lossio. Já em Caruaru, depende da posição de Tony Gel. Mas estamos estimulando a candidatura dele. Em Olinda, temos Ricardo Costa que é candidato. Em Abreu e Lima, temos Flávio, que é candidato. E podemos ter candidatos em Palmares, Ribeirão, Joaquim Nabuco e em cidades maiores, como São Caetano, Araripina e Ouricuri. Há ainda uma possibilidade em Salgueiro. Então é um conjunto de municípios onde a gente pode ter candidatos.
Poderão haver conflitos nestes lugares?
Isso está compreendido entre todos os partidos. Tenho conversado com esse assunto com o governador. Esse momento é de fortalecimento dos partidos, então todos estão fazendo isso, buscando seus caminhos. Não quero criar desestabilização dentro da aliança, mas todo mundo compreende isso como um movimento natural dos partidos lançarem candidatura dentro dos municípios para crescer.
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“O melhor para o País seria o impeachment”, afirma Raul Henry
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